Santa Maria de Alcobaça - luz e pedra

A luz e as pedras

Gosto de me imaginar, como num filme, a viver na Idade Média ou no Renascimento, no Egito ou na Mesopotâmia, ou em civilizações mais remotas ou até mesmo num qualquer tempo pré-histórico.

Gosto de tentar localizar as pequenas conquistas civilizacionais que permitiram a fantástica evolução do Homem ao longo do tempo que se seguiu ao seu aparecimento na Terra.

Talvez por isso, também gosto de me imaginar a passear no Claustro de D. Dinis, em pleno século XVI, no ano de 1500 por exemplo, tentando ouvir as conversas que, apesar do voto de silêncio, os monges entabulariam a propósito da sua relação com Deus e, claro, com a Terra que lhes dava o sustento e lhes aprimorava o sabor.

Que diriam eles do Mosteiro deles?

Que pensariam eles da imponência da nave central, da majestade do pórtico da entrada, da singeleza da fachada de então, dos capitéis do claustro ou do engenhoso e vital sistema de abastecimento de água ao mosteiro?

Saberiam os frades mais cultos, e foram tantos, que existira por Itália e por França um homem que, para além de genial artista, foi o inventor de tudo o que havia para inventar naqueles tempos de saída das trevas?

Creio que nenhum deles, mesmo tendo ouvido falar de Leonardo Da Vinci, foi capaz de imaginar sequer, as prodigiosas conquistas que o Homem iria realizar durante os séculos seguintes. Até em relação ao Mosteiro, nenhum deles poderia prever as transformações profundas, não só nos hábitos da Ordem mas principalmente na evolução do próprio edifício do Mosteiro.

Entrando, através dos vitrais da nave central, a luz, ora intensa ora suave, espalhava-se pelas pedras das paredes, dos pórticos, das colunas, criando claros/escuros magníficos que, na singela leitura dos monges, representariam apenas a omnipresença de Deus.

Morreram todos os Monges que habitaram o Mosteiro até aos anos 30 do século XIX mas a luz de todas as estações continua a inundar o Mosteiro e a criar nele infinitos recortes, a maior parte dos quais só são visíveis por olhos atentos e almas sensíveis.

É aqui que, nesta estória, entra o João Daniel, que com o seu labor cisterciense, qual ilustrador dos tempos da inocência, qual poeta da luz e das sombras, qual mago de truques imprevistos, vem fotografando todos os recantos do Mosteiro.

Conhece-lhe bem os segredos da luz, os momentos de penumbra, as ligações ao passado e os condicionamentos do presente.

Tudo é meticulosamente fotografado como o registo duma paixão suscita.

As fotografias do João Daniel ajudam-nos a entender as raízes da cultura do povo que somos e a amálgama cultural que dá forma a cada um de nós, mostrando quase sempre o sonho que a realidade nos esconde.

De tal modo que, o livro que agora fica editado, vai passar a ser um documento identitário não só da dedicação fotográfica do João Daniel mas também do próprio Mosteiro.

Não se julgue porém que falo dum documento que mostra “vistas” do Mosteiro para promoção turística; este documento exibe a visão poética de um autor que tem sabido captar momentos únicos, criados por efeitos luminosos de rara beleza, para o registo dos quais foram necessários anos de busca, de espera, de determinação, para que o sortilégio da luz permitisse o efeito desejado.

Este livro, para além de ser um livro de belas imagens de João Daniel, é, também, um registo que nos mostra, de forma inequívoca, a transcendência que habita o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.

José Aurélio 2012

 

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ESGOTADO

Pedrês (Pedro e Inês)

Este livro nasceu da ideia de dar a conhecer algumas das fotografias que fui tirando ao longo dos anos aos túmulos de Pedro e Inês. Achei conveniente juntar-lhe palavras. É sabido que a temática Inesiana é imensa e extraordinariamente abrangente englobando livros históricos, ensaios, ficção, poesia, peças de teatro, estudos de vária índole, etc. e envolvendo autores de muitas nacionalidades. Escolhi a poesia e limitei a minha pesquisa aos poetas portugueses. Verifiquei que eram raríssimos os poemas que fizessem referência aos túmulos. Então, alarguei o âmbito das fotografias a outros sítios referidos frequentemente na obra poética. Uns, comprovadamente históricos, outros nem tanto, como a Fonte dos Amores ou a Fonte das Lágrimas, que entraram no imaginário de Pedro e Inês por culpa de Camões, ou o Penedo da Saudade por culpa de poetas posteriores. Assim, para além de fotografias desses locais, inseri também fotografias tiradas em Montemor-o-Velho, terra onde foi decidida a morte de Inês, no Mosteiro de Santa Clara onde viveu durante algum tempo, foi morta e enterrada e na Serra d’el Rei um dos locais por onde andaram Pedro e Inês. Apesar de ter ido a esses locais fotografar por causa dos poemas acabei por decidir inserir no livro apenas um conto e não os poemas. Um conto especial, chamado “Teorema”, de um poeta que gosto muito, Herberto Hélder. As fotografias que acompanham o texto desse conto não têm título ao contrário de todas as outras. Os títulos podem nada ter a ver com as imagens, incluindo os dos túmulos que não seguem as interpretações habituais. Permiti-me dar asas à imaginação.

João Daniel 

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